As imponentes tumbas dos faraós egípcios no Vale dos Reis

24.10.2018

Não é novidade pra ninguém que o Egito antigo passou por diversas fases, dinastias e reinados. Com isso, diversas cidades foram capitais e nelas templos e cemitérios construídos. É o caso do lugar de hoje: o Vale dos Reis. Um cemitério real construído em Luxor, que fica a 700 km do Cairo.

Como surgiu e o que é o vale dos Reis?

Memphis (hoje Cairo) durante o império antigo, por volta de 2500 a.C., foi a capital do Egito e lá as pirâmides foram construídas com a finalidade de serem usadas como tumbas para os Reis.

Já durante o novo império (1500 – 1085 a.C) Tebas (hoje Luxor) era a capital e esse período foi o de maior esplendor da civilização egípcia. Justamente por isso Luxor é tão importante quando falamos do Egito antigo, pois é aqui que grande parte do legado egípcio adormece (post sobre outras atrações de Luxor, clique aqui).

Durante o novo império as pirâmides entraram em desuso pois eram alvo fácil para os saqueadores de tumbas, mas eles precisavam encontrar outros meios de sepultar seus faraós. Um lugar que não fosse tão chamativo externamente, mas sim internamente. Assim nasceu ao Vale dos Reis.

Uma montanha de pedra no meio do deserto de West Bank, na margem oeste do Nilo. Quem vê de fora nunca imagina os segredos que se encontram escondidos entre essas pedras. Era exatamente o que os egípcios precisavam!!!

Percebam que o topo da montanha onde é o Vale dos Reis tem o formato piramidal, ou seja, mesmo em desuso, eles nunca deixaram de ter uma pirâmide por perto.


#Curiosidade:
 No Egito antigo eles acreditavam que a margem leste (onde o sol se põe) do Nilo era destinada aos vivos e por essa razão os templos, casas e civilizações se localizariam nesse lado do rio. Já a margem oeste (onde o sol nasce) era destinada aos mortos, por isso todos os templos mortuários se encontram por aqui. Louco né?!

Os sepultamentos datam aproximadamente 1570 a.C até 1070 a.C. e referem-se as XVIII, XIX e XX dinastias. Ao todo são 64 tumbas, sendo a última delas descoberta em 2008. Até os dias atuais seguem escavações para descobrir novas tumbas, além de restaurações daquelas já encontradas.

Aqui podemos ter uma boa ideia de como é o Vale dos Reis do lado externo, com rochas e entrada e interno com túneis, câmaras e corredores.

As tumbas, escavadas diretamente na rocha, contam com túneis subterrâneos (uns pequenos e outros chegam a mais de 100 metros de extensão) formando câmaras e corredores de pura beleza e glória. A diferença no tamanho e beleza das tumbas (algumas estão até inacabadas) está relacionado ao tempo de reinado do faraó: quanto mais tempo no poder, mais tempo tinham para construir e ornamentar sua tumba. A tumba mortuária era a principal e primeira obra a ser construída pelo faraó que assumia o poder, afinal de contas era aquele espaço que o ajudaria a fazer a passagem para o outro mundo para se juntar aos Deuses.

Esses murinhos que vemos hoje formam construídos para auxiliar na identificação das tumbas.

As paredes

Diferente das pirâmides, as paredes das tumbas dos vales dos Reis são inteiramente decoradas com hieróglifos, deuses, imagens do faraó, sua múmia e suas conquistas. É inexplicavelmente lindo! Agora imaginem que isso tudo foi construído há 3 mil anos. Como pode né?!

Pensa numa criança feliz? Sou eu!

Bem, os historiadores dizem que os artesãos que faziam essas obras incríveis trabalhavam em algumas equipes. A primeira delas ficava responsável pela construção e polimento dos corredores, uma segunda equipe desenhava tudo o que vemos em cor preta, deixando as correções para a terceira equipe, que corrigia tudo em cor vermelha e deixava os desenhos prontos para a duas últimas equipes, uma responsável por esculpir tudo o que era desenhado e finalmente a última, que passava colorindo tudo aquilo.

Percebam o desenho inacabado e seu traços em preto e vermelho.

Detalhe para as cores… parecem terem sido pintadas ontem!

O que há dentro das tumbas?

Os egípcios acreditavam que a morte do faraó era apenas uma passagem para o outro lado, de onde ele continuaria reinando ao lado dos Deuses. Por isso quando morriam, não só seu corpo mumificado era colocado na sua tumba, mas também todos seus pertences pessoais e tudo aquilo que pudesse ajudar a fazer a passagem ou que ele fosse usar na sua nova vida. Muitas jóias, peças em ouro, cama, jogos de tabuleiro, espadas, trono…

Por esse motivo as tumbas eram comumente saqueadas, e o tesouro perdido no tempo.

Réplica da tumba de Tutancâmon

A tumba mais famosa do complexo é a do Rei-menino Tutancâmon, a única que foi encontrada intacta! Ali encontraram mais de 5 mil objetos entre cama, trono, estátua e a famosa máscara mortuária de ouro. Todos os objetos estão expostos no Museu Egípcio do Cairo.

Com o que encontraram na tumba de Tutancâmon podemos ter uma boa idéia do que havia nas outras tumbas. Lembrando que o Rei-menino morreu aos 19 anos e com ele foram enterrados 5 mil objetos. Agora imaginem o que tinha na tumba de Ramsés II que reinou por 40 anos!!!!

Carter e um trabalhador egípcio analisando a tumba do Rei-Menino

Visita ao Vale do Reis

Atualmente o vale dos Reis conta com 64 tumbas, mas apenas 15 estão abertas para visita, sendo três delas pagas a parte. Entre as tumbas abertas estão: Ramsés I, Ramsés III, Ramsés IV, Ramsés IX, Sethi I, Siptah, Merenptah, Thutmose III, Thutmose IV, Mentuherkhepshef, Tausert/Setnakht.

O ingresso com valor cheio custa 160 EGP (preço 2018), mas estudantes tem direito a meia entrada. Esse ticket te dá direito de visitar 3 tumbas de livre escolha, com exceção das 3 que são pagas a parte.

Tá Doug e quais são pagas a parte? Qual o valor?

  • Ramsés V 80 EGP
  • Tutankamon 100 EGP
  • Sethi 1° 1.000 EGP

Dizem que a tumba de Sethi 1° é uma das maiores e mais lindas, mas eu particularmente achei o valor bem alto. Já a de Tutancâmon dizem ser pequena, mas é a mais famosa por ter sido a única encontrada intacta, ainda com pertences do faraó e que contem uma réplica da múmia. Confesso que me cocei para visitar as tumbas pagas, mas no final fiquei bem satisfeito com as que visitei, embora tenha ficado com vontade de visitar as outras 12 #DougDescontrolado hahahah

E agora? Que tumba escolher?

Quase ganhei uma gastrite quando o guia me falou que eu tinha que escolher 3 tumbas entre 15. De verdade! Não nasci pra isso! hahaha

Falei a ele que gostaria de visitar tumbas de diferentes dinastias para que no final pudesse comparar as dinastias, diferenças entre os Reis e coisas desse tipo. A única que escolhi foi a tumba de Tausert/Setnakht, e já explico a vocês o porque. Rs

A primeira que visitei foi a tumba de Ramsés IV, a segunda descoberta no vale dos Reis e que fica logo na entrada.

Entrada da tumba

Devo ter ficado uns 40 minutos lá dentro admirando cada detalhe daquele lugar tão belo. Fiquei completamente embasbacado com a riqueza de detalhes e perfeição que estava presenciando.

É meio inacreditável imaginar que aquilo tudo foi construído a tanto tempo atras e que ainda hoje permanece quase que intacto.

Isso sem contar que é esculpido direto na rocha, por trabalhadores que não tinham nenhum tipo de tecnologia, mas que ainda assim estavam anos luz à nossa frente.  De boca aberta fiquei e permaneci. Rs

Lindo demais né?!

A segunda câmara mortuária que visitei foi a de Ramsés IX. Essa por sua vez já possui um corredor mais extenso, não é tão colorida e algumas das paredes estão bem danificadas.

Mas o que despertou minha curiosidade em visitar essa tumba foi o fato de que ela está inacabada pois Ramsés IX morreu durante o processo de construção.

Por isso algumas paredes encontram-se sem acabamento, algumas com desenhos ainda nos esboços preto e vermelho e a sala principal, onde o sarcófago descansava estava assim:

Reparem que o espaço para o sarcófago não foi finalizado

 

A terceira e última tumba foi a que eu havia escolhido: Tausert/Setnakht. Escolhi essa tumba por um motivo bem especial: ela pertence a um casal real. É isso mesmo que você leu.

A tumba foi construída pela rainha Tausert e depois que ela morreu, seu marido assumiu o poder e decidiu usar a mesma tumba, mas sem apagar os registros de sua esposa.

Essa é uma das maiores tumbas do Vale dos Reis e possui duas enormes salas mortuárias, uma pro rei e uma pra Rainha.

As paredes têm algumas partes bem coloridas e outras nem tanto.

Segunda sala sepulcral com o sarcófago do Rei.

Três tumbas completamente diferentes, construídas em períodos diferentes mas que carregam sua própria história e beleza.

FOTOS SÃO PERMITIDAS?

Li em diversos blogs relatos de pessoas dizendo que fotos não são permitidas no Vale dos Reis, mas quando estive lá (agosto/2018) existia um ingresso para aqueles que quisessem registrar o momento com suas câmeras e celulares. Esse ingresso custava 300 EGP e pude usar minha câmera sem nenhum problema dentro das tumbas.

Também é muito comum ver os seguranças que cuidam das tumbas se oferencendo para tirar fotos ou autorizando você a ultrapassar as barreiras e ir a lugares onde não são permitidos mediante a uma “gorjeta”. Eu preferi pagar meu ingresso do que correr riscos ou contribuir com turismo destrutivo. Mas aí fica a seu critério, não é mesmo? Rs

INFORMAÇÕES

Localização: 10 quilômetros do centro de Luxor.

Horário: Todos os dias das 6:00 às 19:00 horas.
Durante o Ramadã e 30 de abril: das 6:00 às 17:00 horas.

Valores: Visita a 3 tumbas: 160 EGP – Muita entrada: 80 EGP.

Lugares próximos:

  • Templo de Hatshepsut
  • Vale das Rainhas
  • Templo de Luxor
  • Templo de Karnak

Para mais informações sobre os lugares próximos, basta clicar nesse link.

Dicas: 
  • Se programe para visitar o Vale dos Reis logo pela manhã, evitando o pouco do sol que pode ser BEM ardente (experiência própria)
  • Protetor solar e boné SEMPRE
  • Levar água e um lanche na mochila
  • De preferencia ter guia, para poder entender melhor a história

Espero que estejam gostando…

Um beijo,

Doug Pelo Mundo

 

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