Cruzando a pé a fronteira entre Egito e Israel

21.08.2019

 

Assim que tive a confirmação da AIESEC dizendo que eu estava aprovado para o intercambio no Egito, catei o mapa e fui ver quais lugares eu poderia me aventurar depois daquela experiência. Meus olhos brilharam quando vi que Israel era COLADA no Egito. Teria chegado o tempo de conhecer a famosa – e tão presente na minha vida – Terra Santa? Talvez sim, mas eu tinha um desafio: chegar lá sem ter que pegar avião. Depois de algumas pesquisas rápidas eu descobri que poderia fazer essa travessia da melhor forma: a PÉ!

A espera do busão que nunca passou. Rs

A pé? Como assim Doug?

Sim minha gente. Pode parecer loucura mas é possível atravessar a pé as fronteiras entre Egito, Israel e Jordânia. Li muuuuito sobre como seria esse processo, pois sabia que embora esses países mantivessem boas relações diplomáticas, essas mesmas eram um pouco delicadas. Ainda assim, todo artigo e blog que lia dizia que era ok fazer isso, as vezes chato em relação as questões de segurança de Israel, mas de resto tudo certo. Li também que o processo inverso (Israel – Egito) não é permitido, mas vi algumas pessoas fazendo esse processo no dia em que cruzei, porém não tenho mais informações. Tem que correr o risco e ver o que rola. Rs

Como foi minha experiência?

Bem, eu fiquei 4 noites em Nuweiba, uma cidadezinha que faz parte do Sinai e que é a penúltima cidade antes da fronteira – a cidade onde é a fronteira chama Taba.

Apresento a vocês: NUWEIBA!

De lá eu pegaria o único ônibus diário para Taba, numa viagem de 70 km e 1 hora de duração. O desafio começou quando o pessoal tentava adivinhar a que hora o ônibus ia passar, já que ele não tem horário certo por conta das barreiras policiais na estrada. Me falaram para ir para a estrada por volta de 10 am e foi o que fiz. Sob um sol de 465ºC fiquei lá por mais de 2 horas esperando e naaaaada.

Até que um casal – abençoado – israelense passou e resolveu parar e dar uma carona para aquele querido menino que parecia derreter no acostamento. Rs – É comum ter carros privados fazendo esse trajeto e custa uma média de 30 dólares por pessoa, mas eu não estava podendo pagar um carro sozinho então preferi ir de ônibus que ia me custar cerca de 5 dólares. #DougMãodeVaca

O que importa é que eu ganhei uma carona… 😛

No caminho, maravilhas como essa: Pharaoh’s Island. Uma pequena ilha muito conhecida entre os mergulhadores, onde é possível visitar o castelo construído durante as cruzadas para garantir a segurança dos fiéis que seguiam para a Terra Santa.

O motorista nos deixou logo na fronteira onde pediram meu passaporte e 2 pounds Egípcios. Me entregaram uma espécie de selo, conferiram meu passaporte e visto, e logo segui para um raio X. Ali abriram minha mochila e tiraram absolutamente TUDO!

Primeira parada

Quiseram encrencar com o fato de eu estar carregando tantos cabos, câmeras, power bank e afins… Eles queriam entender porque eu estava viajando com tantos cabos e baterias. Expliquei que era travel blogger, que estava documentando toda minha viagem e que precisava daquilo para carregar as baterias ou para carrega-las. Um dos policiais achou incrível o que eu estava fazendo e o outro, com cara de poucos amigos, apenas me liberou. Segui crente que já estava no lado israelense, mas não. Tinha uma segunda parada ainda em solo egípcio.

Segunda parada em solo egípcio

Ali preenchi um formulário de saída onde o oficial colou aquele selo comprado na primeira parada e me mandou para o controle de passaporte, onde mais uma vez conferiram meu visto, carimbaram a saída e me desejaram boa viagem. Nesse momento escorria uma lágrima de estar deixando aquela terra tão abençoada, no qual fui tão feliz. #EgyptLovers

Agora sim, caminhava alguns metros e já sentia a mudança ao meu redor… Muuuuita segurança, cameras para todo lado, guardas armados, arames… Nem me atrevi a tentar tirar foto ou coisa parecida. Eu estava oficialmente em solo israelense por aqui a segurança parecia ser “um pouco” mais pesada. Ou seja, nada de fotos. #MinhaMãeAgradece Rs

Entrei numa pequena fila toda gradeada e por onde, através de um vidro, eu via um oficial. Entreguei meu passaporte através do furo no vidro e ele muito educado me questionou:

  •  “Qual seu nome completo”
  • “Primeira vez em Israel?”
  • “O que veio fazer aqui?”
  • “Quanto tempo vai passar?”
  • “Que lugares vai visitar?”
  • “Quanto tempo ficou no Egito?”
  • “Que lugares visitou no Egito?”
  • “Porque está sozinho?”
  • “Conhece alguém aqui?”

Como de costume, respondi a todas as perguntas de maneira direta e educada até que o oficial abre um sorriso, devolve meu passaporte e diz: “bem vindo a Israel”. Um portão de ferro se abriu e eu segui o fluxo. Chegando na segunda tenda, hora de passar as malas pelo raio X, que foi tranquilo e não pediram para abrir as malas. Então passei por mais um controle de passaporte, onde fui atendido por uma moça com cara de pouquíssimos amigos. Ela também fez um interrogatório como o outro oficial e adicionou algumas outras perguntas como:

  •  “Você é cristão?
  • “Pretende visitar a Palestina?”
  • “Tem família aqui?”
  • “Você fala Hebraico?”
  • “Tem reservas de hotel?”
  • “Tem passagem de volta?”
  • “Onde você vive?”

Não satisfeita com minhas primeiras respostas, ela perguntou mais umas 5 x se eu conhecia alguém ou se tinha família em Israel. Em todas falei minha situação: estava a passeio e sozinho!!!! Depois do leve interrogatório, ela me deu um papelzinho azul que continha minha foto e dados. Esse era meu visto!

Sim minha gente. Esse papelzinho precisa ser guardado a 7 chaves até o fim da viagem pelo país. Há muito tempo Israel não carimba passaporte de turistas, pois se fizerem, você não pode mais entrar em nenhum país do Oriente Médio. – Falei que as relações eram delicadas né?!

Peguei meu passaporte, o papelzinho, agradeci, dei meu melhor sorriso e vazeeeei. Rs

Antes de sair do saguão, mais um oficial checou meu passaporte e conferiu com o papelzinho, perguntou meu nome completo e me deixou seguir. Saindo daquela porta, você está oficialmente em solo israelense. Ihaaaaaaaaaa

Ali taxis e ônibus estão a espera dos turistas. Infelizmente eu não tinha Shekels (moeda de Israel) e o ATM da fronteira não estava funcionando, ou seja, fui obrigado a pegar um taxi para ir até o centro. Paguei 50 shekels, sendo que o busão faz o mesmo trajeto por 5. #ContraDeViajarSozinho

E esse visu me rondando… <3

Os ônibus 15 e 16 vão ambos para o centro. É tranquilaço de pegar e de se encontrar, uma vez que Eilat é uma cidade costeira onde basicamente tudo se concentra em duas avenidas. Isso sem falar que o transporte funciona perfeitamente. Por isso, sem medo de se aventurar pelo transporte público, que é fácil, rápido e o melhor: “BARATO”. Rs – Sim, entre “ ” pois em Israel TUDO é caro. Mas isso também fica para um os próximos posts. Rs

Se quiser ler mais sobre minha viagem pelo Egito, clique aqui e se quiser assistir a todas essas loucuras, não perca meu canal no Youtube.

Agora partiu seguir viagem por Israel?

Um beijo,

Doug Pelo Mundo

 

 

 

 

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  1. Victor Goncalves

    Doug, vou atravessar a fronteira amanhã pela manhã. Depois te conto como foi, obrigado por suas dicas!!!!

    • doug

      Fala Victor!!! Como foi a travessia? Tudo bem? Quero saber o que achou. Abração